censura

Ditadura no cinema

Desde que se instalou a ditadura militar, a cultura brasileira foi golpeada por um retrocesso. E não foi diferente com o cinema.

Os acontecimentos positivos que o cinema conquistou nos anos 50 seriam destruídos pelo autoritarismo militar. O cinema e seus representantes buscavam interpretar algo que fosse nosso retrato, o que não tinha nada a ver com o que se exportava dos cinemas da Europa. Nascia, então, o Cinema Novo. Essa nova visão queria mostrar o povo brasileiro, seu dia a dia, sua realidade.

Os artistas e diretores dessa nova linha, como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, sentiram o golpe de perto, já que não poderiam mais retratar o que de fato acontecia no cotidiano brasileiro. Com a ditadura cresceu o fortalecimento da censura que enfraqueceria, e muito, os movimentos culturais que retratavam a identidade nacional.

” El Justiceiro”, de 1967 do diretor Nelson Pereira dos Santos, é um dos filmes que passou pela censura sendo julgado como impróprio para menores de 18 anos por conter frases e cenas de baixo calão e propagandas anti-revolucionárias.

Se nossos movimentos culturais não tivessem sido tão fortemente censurados pela ditadura militar, teríamos um ótimo campo para o seu desenvolvimento ao invés de exportarmos tantas coisas de outros países.

Até a próxima sessão pessoal.

Fernanda Camargo – estudante de jornalismo da UNIARA – fer_camargo_18@hotmail.com

Amanha será Outro Dia

“Apesar de você amanhã há de ser outro dia”. Era isso que, Chico Buarque, um dos mais influente artista Brasileiro entoava durante a ditadura militar. Grande Influencia musical da época e portanto uma das mais belas vozes já ouvidas no Brasil esbanjava poesia e encantava os ouvintes que ate hoje o adoram.

Assim como muitos artistas, o cantor deixou um acervo gigantesco de belas obras em oposição ao regime militar, dentre elas destacamos, “Apesar de Você”, musica que fala de  forma ampla sobre a proibição e censuras do governo, do sofrimento dos brasileiros, e que mostra que apesar de tudo o Brasil ainda poderia ser um bom lugar para se viver no futuro.

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Amanhã vai ser outro dia

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá…….

Espero que tenham gostado. Nos encontramos na próxima faixa

♫Beijinhos

Bruna Joiozo, estudante de jornalismo da UNIARA – brunajoiozo@hotmail.com

RODA VIVA

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No final do ano de 1967 o compositor e cantor, Chico Buarque, entrou na dramaturgia brasileira, escrevendo a peça Roda Viva . O enredo seria encenado pela primeira vez no começo de 1968 no Rio de Janeiro e posteriormente suas sessões seriam apresentadas no teatro Galpão, em São Paulo.

A temporada no Rio foi um sucesso. O diretor da peça, José Celso Martinez Corrêa, dispunha dos atores Heleno Pets, Antônio Pedro e Marieta Severo nos papéis principais. Porém, quando a peça foi para São Paulo com novo elenco principal, Rodrigo Santiago, Flávio Santiago e Marília Pêra, a obra foi considera um símbolo da resistência contra a ditadura militar. Foi no teatro Galpão – São Paulo, que cerca de 100 pessoas do grupo CCC (Comando de Caça aos Comunistas), ao final de uma apresentação, invadiram o camarim, agrediram o elenco e depredaram o cenário. A peça foi reassumida em Porto Alegre, e após a estréia, já no hotel, os militantes sequestraram dois atores e os abandonaram em um matagal distante. Esse era o fim das apresentações.

Aos que assistiam à peça não acreditavam que tal texto poderia sair de Chico, o bom moço de olhos verdes. O enredo dividido em dois atos expunha a história de um cantor, Benedito Silva, que ao ver a insatisfação de seu publico decide trocar seu nome para Ben Silver. A peça, entretantroda-viva1o, ia além de uma crise artística. Além de mostrar uma figura manipulada pela mídia da época, alertava a platéia para os problemas que a ditadura trazia para o país. Haviam várias cenas agressivas, como a que os personagens dilaceravam um fígado cru com os dedos. O espetáculo tomava conta do teatro e fazia com que não houvesse distinção entre atores e platéia.

A peça lotou sessões por onde passou, e foi muito além de uma censura oculta já que seus representantes sentiram na pele o ardor da ditadura militar.

Fernanda Camargo, estudante de jornalismo da UNIARA – fer_camargo_18@hotmail.com

Teatro rico em tempos pobres

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Em uma época marcada pela censura, o teatro nacional mostrou-se corajoso perante a ditadura militar. A perseguição a atores, diretores e o fechamento de companhias não abalou o espírito artístico e cultural de um povo reprimido. Grupos marcaram época, como o Teatro Arena e o Teatro Oficina. Tais grupos estavam empenhados em um trabalho revolucionário, que contestava o governo vigente, mesmo que isso lhes custasse a liberdade. Artistas como Nelson Rodrigues, Zé Celso, Augusto Boal, Chico Buarque, Norma Bengell, entre outros, são ícones de resistência a uma intimidadora repressão

O AI-5 (Ato Institucional 5), que vigorou em 13 de dezembro de1968 no governo do presidente Artur da Costa e Silva, além de dar poderes quase absolutos ao regime militar impunha a censura prévia para jornais, revistas, peças de teatro e  músicas. Esse Ato é considerado o mais abusivo golpe na democracia brasileira. O teatro se virou como pôde para sobreviver em um governo violento e autoritário.

A vida da população brasileira era hostil naquele momento da história, e nem mesmo a cultura foi isenta de um macabro poder ditatorial militar. Houve casos de espancamentos a elencos, depredações de teatros, sequestro de artistas e muitos tiveram que se exilar em outros países. Mesmo em tempos pobres, o teatro se mostrou rico e marcou uma importante presença no que diz respeito à liberdade de expressão.

Agradeço a atenção e até a próxima peça.

Fernanda Camargo, estudante de jornalismo da UNIARA – fer_camargo_18@hotmail.com