RODA VIVA

1968=

No final do ano de 1967 o compositor e cantor, Chico Buarque, entrou na dramaturgia brasileira, escrevendo a peça Roda Viva . O enredo seria encenado pela primeira vez no começo de 1968 no Rio de Janeiro e posteriormente suas sessões seriam apresentadas no teatro Galpão, em São Paulo.

A temporada no Rio foi um sucesso. O diretor da peça, José Celso Martinez Corrêa, dispunha dos atores Heleno Pets, Antônio Pedro e Marieta Severo nos papéis principais. Porém, quando a peça foi para São Paulo com novo elenco principal, Rodrigo Santiago, Flávio Santiago e Marília Pêra, a obra foi considera um símbolo da resistência contra a ditadura militar. Foi no teatro Galpão – São Paulo, que cerca de 100 pessoas do grupo CCC (Comando de Caça aos Comunistas), ao final de uma apresentação, invadiram o camarim, agrediram o elenco e depredaram o cenário. A peça foi reassumida em Porto Alegre, e após a estréia, já no hotel, os militantes sequestraram dois atores e os abandonaram em um matagal distante. Esse era o fim das apresentações.

Aos que assistiam à peça não acreditavam que tal texto poderia sair de Chico, o bom moço de olhos verdes. O enredo dividido em dois atos expunha a história de um cantor, Benedito Silva, que ao ver a insatisfação de seu publico decide trocar seu nome para Ben Silver. A peça, entretantroda-viva1o, ia além de uma crise artística. Além de mostrar uma figura manipulada pela mídia da época, alertava a platéia para os problemas que a ditadura trazia para o país. Haviam várias cenas agressivas, como a que os personagens dilaceravam um fígado cru com os dedos. O espetáculo tomava conta do teatro e fazia com que não houvesse distinção entre atores e platéia.

A peça lotou sessões por onde passou, e foi muito além de uma censura oculta já que seus representantes sentiram na pele o ardor da ditadura militar.

Fernanda Camargo, estudante de jornalismo da UNIARA – fer_camargo_18@hotmail.com

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SELEÇÃO BRASILEIRA DE 70, UMA PROPAGANDA NOS ANOS DE “CHUMBO”

Em 1970 o Brasil ainda vivia sob a ditadura do regime militar que havia se instaurado em 1964, o presidente do país era o General Emílio Médici, ele pertencia a ala mais radical dos militares e governou o país entre 1969 e 1974, seu governo foi um dos mais repressivos da história do Brasil, matando muitas pessoas que eram contra o governo da época.

A Copa do Mundo de 1970 que seria realizada no México se aproximava, João Saldanha era o técnico da seleção brasileira que disputaria o campeonato mundial, mas meses antes do torneio ele foi dispensando do comando técnico da seleção por fazer parte do Partido Comunista Brasileiro e também por não ouvir e convocar os jogadores que o então presidente Médici pedia, neste instante o ex-jogador e bicampeão mundial Zagallo assume o comando.

Com Zagallo assumindo a seleção, a comissão técnica que já tinha militares entre seus membros ganha ainda mais reforços, militares que participaram de torturas estavam infiltrados nas concentrações da seleção, assim o grupo joga vários amistosos contra alguns times para se preparar para o tão esperado torneio para os militares.

Tem início então a Copa do Mundo de 1970, o Brasil faz uma campanha irretocável para a alegria dos militares, conseguindo o título contra a seleção Italiana pelo placar de 4 X 1, a seleção brasileira serviu muito como propaganda para o regime militar, pois o povo mesmo sofrendo nas mãos dos militares adoravam a seleção, essa foi uma grande “jogada” do regime ditatorial pois com o título, conseguiu “censurar” muitas das realidades sofridas pelo povo brasileiro.

11medici_copa70 copa70_Agencia_O_Globo mediciMarcos Vinícius Nanetti, aluno de jornalismo da UNIARA – marcos_viniciuss@hotmail.com.br

 

A Tortura

Muitos se levantaram contra o poder militar na época, e quem se manifestou contra sofreu com o abuso de poder, torturas e tantas outras coisas.

Mais uma matéria sobre o golpe militar me parece cansativo, por isso o foco é mostrar as barbáries que aconteceram na época, lutas e prisões acabaram sendo consideradas normais, quem era contra o governo era cassado, torturado e muitos foram mortos.
Em meio a uma “guerra” isso chega a ser normal, porém a crueldade que foi usada na época era algo de cinema.
Os militares tiveram aulas com os franceses, que ensinaram técnicas de torturas que foram utilizadas na Guerra Civil Argelina e na Guerra da Indochina.

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As principais torturas utilizadas na época foram:

Arquitetura da dor
Torturadores abusavam de choques, porradas e drogas para conseguir informações

Cadeira do dragão
Nessa espécie de cadeira elétrica, os presos sentavam pelados numa cadeira revestida de zinco ligada a terminais elétricos. Quando o aparelho era ligado na eletricidade, o zinco transmitia choques a todo o corpo. Muitas vezes, os torturadores enfiavam na cabeça da vítima um balde de metal, onde também eram aplicados choques

Pau-de-arara
É uma das mais antigas formas de tortura usadas no Brasil – já existia nos tempos da escravidão. Com uma barra de ferro atravessada entre os punhos e os joelhos, o preso ficava pelado, amarrado e pendurado a cerca de 20 centímetros do chão. Nessa posição que causa dores atrozes no corpo, o preso sofria com choques, pancadas e queimaduras com cigarros

Choques elétricos
As máquinas usadas nessa tortura eram chamadas de “pimentinha” ou “maricota”. Elas geravam choques que aumentavam quando a manivela era girada rapidamente pelo torturador. A descarga elétrica causava queimaduras e convulsões – muitas vezes, seu efeito fazia o preso morder violentamente a própria língua

Espancamentos
Vários tipos de agressões físicas eram combinados às outras formas de tortura. Um dos mais cruéis era o popular “telefone”. Com as duas mãos em forma de concha, o torturador dava tapas ao mesmo tempo contra os dois ouvidos do preso. A técnica era tão brutal que podia romper os tímpanos do acusado e provocar surdez permanente

Soro da verdade
O tal soro é o pentotal sódico, uma droga injetável que provoca na vítima um estado de sonolência e reduz as barreiras inibitórias. Sob seu efeito, a pessoa poderia falar coisas que normalmente não contaria – daí o nome “soro da verdade” e seu uso na busca de informações dos presos. Mas seu efeito é pouco confiável e a droga pode até matar

Afogamentos
Os torturadores fechavam as narinas do preso e colocavam uma mangueira ou um tubo de borracha dentro da boca do acusado para obrigá-lo a engolir água. Outro método era mergulhar a cabeça do torturado num balde, tanque ou tambor cheio de água, forçando sua nuca para baixo até o limite do afogamento

Geladeira
Os presos ficavam pelados numa cela baixa e pequena, que os impedia de ficar de pé. Depois, os torturadores alternavam um sistema de refrigeração superfrio e um sistema de aquecimento que produzia calor insuportável, enquanto alto-falantes emitiam sons irritantes. Os presos ficavam na “geladeira” por vários dias, sem água ou comida

Cama Cirúrgica
O preso era esticado em uma cama e isso causava rompimento dos nervos. Na cama, também eram cometidos outros tipos de torturas, como arrancar todas as unhas.

Arrastamento pela viatura
A vítima era amarrada no carro e era arrastada diversas vezes. Isso fazia com que ele sofresse diversas escoriações pelo corpo. Além disso, era obrigado a inalar o gás que saía pelo escapamento da viatura.

Coroa-de-Cristo ou Capacete
Era utilizado um anel metálico que tinha um mecanismo para diminuir seu tamanho, esmagando o crânio da vítima.

Apesar de toda a crueldade nenhum torturador foi punido, pois o Congresso Nacional aprovou, em 1979, a Lei da Anistia. Com ela, as pessoas envolvidas em crimes políticos seriam perdoadas pela justiça, inclusive os torturadores.

Anistia

Alguns não entendem o que significou O Golpe Militar, basta perguntar pra quem lutou tanto se o risco de sofrer essas torturas valia apena, alguns passaram por mais de uma tortura e continuou na luta por um país livre.
Tentaram calar a voz da população, mas em uma verdadeira democracia, todos tem voz

voz

E hoje o Brasil é democrático graças a esses guerreiros que sempre sonharam com um país melhor.
Para melhor entendermos a mente de quem presenciou a Ditadura Militar entrevistamos o Sr. Fernando Camargo que na época participou de alguns movimentos estudantis no interior de São Paulo.

BLOG: Quais casos de tortura você presenciou, viveu ou conheceu algum?
Sr. FERNANDO: Me contaram que prenderam uma pessoa que era líder de um movimento estudantil engajado nas manifestações e protestos. Passou por uma série de torturas, como ele se mantinha firme prenderam também sua namorada e chegaram até dar choques elétricos nas genitálias dela.

BLOG: O Senhor sabe de algum caso de alguém que tenha sido morto?
Sr. FERNANDO: Conheço um caso de um cara que trabalhava em uma empresa que ficava na rodovia Raposo Tavares, quando ele chegou de manha para trabalhar e guardou o carro no estacionamento da empresa agentes o prenderam e nunca mais foi visto.

BLOG:Os estudantes tinham medo das torturas?
Sr. FERNANDO: Muitos tinham, porque eram verdadeiros martírios.
BLOG: O Senhor conhece algum caso curioso sobre as torturas?
Sr. FERNANDO: Um outro caso também, prenderam um outro líder e através de um mecanismo faziam ele tomar água até não suportar.
BLOG: Senhor Fernando, você soube de alguém que sobreviveu a ditadura?
Sr. FERNANDO: Minha prima. Tomou um táxi para ir trabalhar, era professora e estava indo dar aula e ao entrar no táxi o motorista começou a criticar a ditadura, como ela também era contra começou a criticar e percebeu que ele estava mudando o itinerário e comentou que não era aquele o caminho e então o motorista se identificou como agente do DOPS e a prendeu. Ela passou por vários interrogatórios não tendo maiores consequências.
 Felipe Almeida, aluno de jornalismo da UNIARA – flpmaster93@yahoo.com.br

Teatro rico em tempos pobres

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Em uma época marcada pela censura, o teatro nacional mostrou-se corajoso perante a ditadura militar. A perseguição a atores, diretores e o fechamento de companhias não abalou o espírito artístico e cultural de um povo reprimido. Grupos marcaram época, como o Teatro Arena e o Teatro Oficina. Tais grupos estavam empenhados em um trabalho revolucionário, que contestava o governo vigente, mesmo que isso lhes custasse a liberdade. Artistas como Nelson Rodrigues, Zé Celso, Augusto Boal, Chico Buarque, Norma Bengell, entre outros, são ícones de resistência a uma intimidadora repressão

O AI-5 (Ato Institucional 5), que vigorou em 13 de dezembro de1968 no governo do presidente Artur da Costa e Silva, além de dar poderes quase absolutos ao regime militar impunha a censura prévia para jornais, revistas, peças de teatro e  músicas. Esse Ato é considerado o mais abusivo golpe na democracia brasileira. O teatro se virou como pôde para sobreviver em um governo violento e autoritário.

A vida da população brasileira era hostil naquele momento da história, e nem mesmo a cultura foi isenta de um macabro poder ditatorial militar. Houve casos de espancamentos a elencos, depredações de teatros, sequestro de artistas e muitos tiveram que se exilar em outros países. Mesmo em tempos pobres, o teatro se mostrou rico e marcou uma importante presença no que diz respeito à liberdade de expressão.

Agradeço a atenção e até a próxima peça.

Fernanda Camargo, estudante de jornalismo da UNIARA – fer_camargo_18@hotmail.com

Som de Encorajamento

Quem nunca ouviu a expressão: “ QUEM SABE  FAZ A HORA NÃO ESPERA ACONTECER”?

A maioria de nós não é mesmo?!

Pois bem, o que poucas pessoas sabem, é que essa frase tão usada como motivação nas nossas vidas é um trecho da Musica: Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores, de Geraldo Vandré, Cantor e compositor, que inspirou os jovens brasileiros da década de 70. Nesse período o Brasil se encontrava em plena ditadura militar, e a liberdade de expressão era inexistente. Todas as coisas eram censuradas pelo governo, e com a musica não foi diferente.
Podemos considerar que a ditadura foi um período negro para musica, onde se expressar é o essencial para que, o que se ouve seja bom, o que era proibido na época.  Porem isso não abalou nossos artistas musicais, o que encontramos desse período, são riquíssimas melodias poéticas, que ganharam um enorme peso na luta contra o regime militar.
E foi ao som dessa canção que milhares de pessoas, encontraram forças para dizer não a Ditadura.

♫OuçaComABruna   ♫AperteOPlay    ♫Faixa1

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores
Geraldo Vandré

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição
De morrer pela pátria
E viver sem razão

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer.

♫ Espero que tenham gostado. Nos encontramos na próxima faixa.

♫Beijinhos♪

Bruna Joiozo, estudante de jornalismo da UNIARA – brunajoiozo@hotmail.com