Mês: outubro 2014

Amanha será Outro Dia

“Apesar de você amanhã há de ser outro dia”. Era isso que, Chico Buarque, um dos mais influente artista Brasileiro entoava durante a ditadura militar. Grande Influencia musical da época e portanto uma das mais belas vozes já ouvidas no Brasil esbanjava poesia e encantava os ouvintes que ate hoje o adoram.

Assim como muitos artistas, o cantor deixou um acervo gigantesco de belas obras em oposição ao regime militar, dentre elas destacamos, “Apesar de Você”, musica que fala de  forma ampla sobre a proibição e censuras do governo, do sofrimento dos brasileiros, e que mostra que apesar de tudo o Brasil ainda poderia ser um bom lugar para se viver no futuro.

♫OuçaComABruna    ♫AperteOPlay     ♫Faixa2

Amanhã vai ser outro dia

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá…….

Espero que tenham gostado. Nos encontramos na próxima faixa

♫Beijinhos

Bruna Joiozo, estudante de jornalismo da UNIARA – brunajoiozo@hotmail.com

Anúncios

Figuras do Reinado Militar

Durante o regime militar muitos conseguiram destacar-se, seja aqueles que lutaram a favor do regime ou contra o poder.

Várias décadas depois, algumas dessas pessoas continuam em lugar de destaque no cenário nacional, muitos continuam com influência e são eleitos com muitos votos.
Alguns sofreram nas mãos do regime militar, outros lutaram a favor dos militares, porém hoje esses por diplomacia se juntam para fazer apoio político e tantas outras coisas.
Vamos separar essas pessoas em dois grupos: o grupo dos que eram contra e dos que eram a favor, vamos ver também como essas pessoas influenciam o país nos dias de hoje.

Pessoas que eram contra a ditadura militar

Caetano VellozoCaetanoVeloso

Em 1968, o regime militar foi endurecido e demonstrou-se totalmente contra quem não seguia as regras do governo, em resposta Caetano Vellozo compôs a música “É Proibido Proibir”, que foi desclassificado e amplamente vaiado durante o III Festival Internacional da Canção. Em 1969, foi preso pelo regime militar e partiu para exílio político em Londres, onde lançou o disco Caetano Veloso (1971), disco com temática melancólica e com canções compostas em inglês e endereçadas aos que ficaram no Brasil
ATUALIDADE: Hoje é um dos mais importantes e mais influentes músicos do país, e tem certa influência na política.

Lulaimages
Em 1981, foi condenado pela Justiça Militar a três anos e meio de detenção por incitação à desordem coletiva, denuncia ocorrida porque o então presidente sindical Luiz Inácio Lula da Silva liderava a greve dos metalúrgicos em São Paulo.
Porém 22 anos depois o ex líder sindical tomou posse como presidente da República, e ficou no poder durante 8 anos.
ATUALIDADE: Foi o presidente com maior porcentagem de aceitação da história, hoje é considerado um dos políticos mais influentes e de maior sucesso no planeta.

Pessoas que eram a favor do Regime Militar.

Malufpoliticos-vinhos-20120503-18-size-598

Começou a carreira politica no partido ARENA, braço direito e mantedor do regime militar.
Em 13 de maio de 1967 Maluf tornou-se presidente da Caixa Econômica Federal, quando tinha 35 anos. Inovou o organismo que era considerado uma velharia, que apenas oferecia um instrumento de poupança. Necessitando de novos horizontes, Maluf introduziu novidades: a CEF passou a oferecer Talão de cheque, e a disponibilizar em suas agências o pagamento de ISS, IPTU, ICMS, Imposto de Renda, contas de água, luz, gás e telefone. Sendo assim, a Caixa Econômica Federal equilibrou-se em 1967, e apresentou grandes lucros em 1968. Maluf inovou também ao criar o processo de empréstimo para a casa própria. Assim, ao invés de lavrarem-se escrituras no tabelião, fazia-se a escritura particular impressa sem ônus para o tomador. Durante sua gestão abriram-se linhas de poupança com correção monetária que a Caixa Econômica Federal não havia. O órgão centenário, em sua administração, realizou em financiamentos o que não havia feito em um século. Desta maneira, foi nomeado Prefeito do Município de São Paulo.
ATUALIDADE: Hoje continua com extrema influência na política, porém é procurado pela INTERPOL por movimentações ilícitas no sistema financeiro internacional, foi eleito pela ONG Transparência Internacional da Suíça como o exemplo de político a ser combatido.

José Maria Marindownload
Foi vice governador de são Paulo (Vice de Paulo Maluf), chegou a assumir o governo quando Maluf desistiu para se candidatar a deputado. Chegou a ser atleta e jogou no S.P.F.C, onde seu treinador Vicente Feola o aconselhou a estudar, jogou apenas 2 partidas pelo São Paulo e fez apenas 1 gol.
Estudou direito e era um dos braços fortes do ARENA, após o regime militar decaiu e perdeu muita influência na política.
ATUALIDADE: José Maria Marin hoje ocupa o cargo de presidente da CBF, no meio do futebol tem muita influência e muita oposição também, apesar de ter perdido parte do seu poder e prestigio político, no esporte é o braço de ferro da maior instituição de futebol do pais.

Esses são apenas alguns exemplos de pessoas que participaram da ditadura militar, caberia ainda a presidenta Dilma Rouseff, Fernando Henrique Cardoso, Plinio de Arruda Sampaio entre outros.

O objetivo dessa matéria é mostrar que independente do lado que ficamos, se lutarmos com todas as nossas forças e tendo certeza das nossas convicções, acreditando que aquilo é o melhor, teremos um lugar de destaque no cenário nacional.

Felipe Almeida, aluno de jornalismo da UNIARA – flpmaster93@yahoo.com.br

RODA VIVA

1968=

No final do ano de 1967 o compositor e cantor, Chico Buarque, entrou na dramaturgia brasileira, escrevendo a peça Roda Viva . O enredo seria encenado pela primeira vez no começo de 1968 no Rio de Janeiro e posteriormente suas sessões seriam apresentadas no teatro Galpão, em São Paulo.

A temporada no Rio foi um sucesso. O diretor da peça, José Celso Martinez Corrêa, dispunha dos atores Heleno Pets, Antônio Pedro e Marieta Severo nos papéis principais. Porém, quando a peça foi para São Paulo com novo elenco principal, Rodrigo Santiago, Flávio Santiago e Marília Pêra, a obra foi considera um símbolo da resistência contra a ditadura militar. Foi no teatro Galpão – São Paulo, que cerca de 100 pessoas do grupo CCC (Comando de Caça aos Comunistas), ao final de uma apresentação, invadiram o camarim, agrediram o elenco e depredaram o cenário. A peça foi reassumida em Porto Alegre, e após a estréia, já no hotel, os militantes sequestraram dois atores e os abandonaram em um matagal distante. Esse era o fim das apresentações.

Aos que assistiam à peça não acreditavam que tal texto poderia sair de Chico, o bom moço de olhos verdes. O enredo dividido em dois atos expunha a história de um cantor, Benedito Silva, que ao ver a insatisfação de seu publico decide trocar seu nome para Ben Silver. A peça, entretantroda-viva1o, ia além de uma crise artística. Além de mostrar uma figura manipulada pela mídia da época, alertava a platéia para os problemas que a ditadura trazia para o país. Haviam várias cenas agressivas, como a que os personagens dilaceravam um fígado cru com os dedos. O espetáculo tomava conta do teatro e fazia com que não houvesse distinção entre atores e platéia.

A peça lotou sessões por onde passou, e foi muito além de uma censura oculta já que seus representantes sentiram na pele o ardor da ditadura militar.

Fernanda Camargo, estudante de jornalismo da UNIARA – fer_camargo_18@hotmail.com

SELEÇÃO BRASILEIRA DE 70, UMA PROPAGANDA NOS ANOS DE “CHUMBO”

Em 1970 o Brasil ainda vivia sob a ditadura do regime militar que havia se instaurado em 1964, o presidente do país era o General Emílio Médici, ele pertencia a ala mais radical dos militares e governou o país entre 1969 e 1974, seu governo foi um dos mais repressivos da história do Brasil, matando muitas pessoas que eram contra o governo da época.

A Copa do Mundo de 1970 que seria realizada no México se aproximava, João Saldanha era o técnico da seleção brasileira que disputaria o campeonato mundial, mas meses antes do torneio ele foi dispensando do comando técnico da seleção por fazer parte do Partido Comunista Brasileiro e também por não ouvir e convocar os jogadores que o então presidente Médici pedia, neste instante o ex-jogador e bicampeão mundial Zagallo assume o comando.

Com Zagallo assumindo a seleção, a comissão técnica que já tinha militares entre seus membros ganha ainda mais reforços, militares que participaram de torturas estavam infiltrados nas concentrações da seleção, assim o grupo joga vários amistosos contra alguns times para se preparar para o tão esperado torneio para os militares.

Tem início então a Copa do Mundo de 1970, o Brasil faz uma campanha irretocável para a alegria dos militares, conseguindo o título contra a seleção Italiana pelo placar de 4 X 1, a seleção brasileira serviu muito como propaganda para o regime militar, pois o povo mesmo sofrendo nas mãos dos militares adoravam a seleção, essa foi uma grande “jogada” do regime ditatorial pois com o título, conseguiu “censurar” muitas das realidades sofridas pelo povo brasileiro.

11medici_copa70 copa70_Agencia_O_Globo mediciMarcos Vinícius Nanetti, aluno de jornalismo da UNIARA – marcos_viniciuss@hotmail.com.br

 

A Tortura

Muitos se levantaram contra o poder militar na época, e quem se manifestou contra sofreu com o abuso de poder, torturas e tantas outras coisas.

Mais uma matéria sobre o golpe militar me parece cansativo, por isso o foco é mostrar as barbáries que aconteceram na época, lutas e prisões acabaram sendo consideradas normais, quem era contra o governo era cassado, torturado e muitos foram mortos.
Em meio a uma “guerra” isso chega a ser normal, porém a crueldade que foi usada na época era algo de cinema.
Os militares tiveram aulas com os franceses, que ensinaram técnicas de torturas que foram utilizadas na Guerra Civil Argelina e na Guerra da Indochina.

introducao_tortura

As principais torturas utilizadas na época foram:

Arquitetura da dor
Torturadores abusavam de choques, porradas e drogas para conseguir informações

Cadeira do dragão
Nessa espécie de cadeira elétrica, os presos sentavam pelados numa cadeira revestida de zinco ligada a terminais elétricos. Quando o aparelho era ligado na eletricidade, o zinco transmitia choques a todo o corpo. Muitas vezes, os torturadores enfiavam na cabeça da vítima um balde de metal, onde também eram aplicados choques

Pau-de-arara
É uma das mais antigas formas de tortura usadas no Brasil – já existia nos tempos da escravidão. Com uma barra de ferro atravessada entre os punhos e os joelhos, o preso ficava pelado, amarrado e pendurado a cerca de 20 centímetros do chão. Nessa posição que causa dores atrozes no corpo, o preso sofria com choques, pancadas e queimaduras com cigarros

Choques elétricos
As máquinas usadas nessa tortura eram chamadas de “pimentinha” ou “maricota”. Elas geravam choques que aumentavam quando a manivela era girada rapidamente pelo torturador. A descarga elétrica causava queimaduras e convulsões – muitas vezes, seu efeito fazia o preso morder violentamente a própria língua

Espancamentos
Vários tipos de agressões físicas eram combinados às outras formas de tortura. Um dos mais cruéis era o popular “telefone”. Com as duas mãos em forma de concha, o torturador dava tapas ao mesmo tempo contra os dois ouvidos do preso. A técnica era tão brutal que podia romper os tímpanos do acusado e provocar surdez permanente

Soro da verdade
O tal soro é o pentotal sódico, uma droga injetável que provoca na vítima um estado de sonolência e reduz as barreiras inibitórias. Sob seu efeito, a pessoa poderia falar coisas que normalmente não contaria – daí o nome “soro da verdade” e seu uso na busca de informações dos presos. Mas seu efeito é pouco confiável e a droga pode até matar

Afogamentos
Os torturadores fechavam as narinas do preso e colocavam uma mangueira ou um tubo de borracha dentro da boca do acusado para obrigá-lo a engolir água. Outro método era mergulhar a cabeça do torturado num balde, tanque ou tambor cheio de água, forçando sua nuca para baixo até o limite do afogamento

Geladeira
Os presos ficavam pelados numa cela baixa e pequena, que os impedia de ficar de pé. Depois, os torturadores alternavam um sistema de refrigeração superfrio e um sistema de aquecimento que produzia calor insuportável, enquanto alto-falantes emitiam sons irritantes. Os presos ficavam na “geladeira” por vários dias, sem água ou comida

Cama Cirúrgica
O preso era esticado em uma cama e isso causava rompimento dos nervos. Na cama, também eram cometidos outros tipos de torturas, como arrancar todas as unhas.

Arrastamento pela viatura
A vítima era amarrada no carro e era arrastada diversas vezes. Isso fazia com que ele sofresse diversas escoriações pelo corpo. Além disso, era obrigado a inalar o gás que saía pelo escapamento da viatura.

Coroa-de-Cristo ou Capacete
Era utilizado um anel metálico que tinha um mecanismo para diminuir seu tamanho, esmagando o crânio da vítima.

Apesar de toda a crueldade nenhum torturador foi punido, pois o Congresso Nacional aprovou, em 1979, a Lei da Anistia. Com ela, as pessoas envolvidas em crimes políticos seriam perdoadas pela justiça, inclusive os torturadores.

Anistia

Alguns não entendem o que significou O Golpe Militar, basta perguntar pra quem lutou tanto se o risco de sofrer essas torturas valia apena, alguns passaram por mais de uma tortura e continuou na luta por um país livre.
Tentaram calar a voz da população, mas em uma verdadeira democracia, todos tem voz

voz

E hoje o Brasil é democrático graças a esses guerreiros que sempre sonharam com um país melhor.
Para melhor entendermos a mente de quem presenciou a Ditadura Militar entrevistamos o Sr. Fernando Camargo que na época participou de alguns movimentos estudantis no interior de São Paulo.

BLOG: Quais casos de tortura você presenciou, viveu ou conheceu algum?
Sr. FERNANDO: Me contaram que prenderam uma pessoa que era líder de um movimento estudantil engajado nas manifestações e protestos. Passou por uma série de torturas, como ele se mantinha firme prenderam também sua namorada e chegaram até dar choques elétricos nas genitálias dela.

BLOG: O Senhor sabe de algum caso de alguém que tenha sido morto?
Sr. FERNANDO: Conheço um caso de um cara que trabalhava em uma empresa que ficava na rodovia Raposo Tavares, quando ele chegou de manha para trabalhar e guardou o carro no estacionamento da empresa agentes o prenderam e nunca mais foi visto.

BLOG:Os estudantes tinham medo das torturas?
Sr. FERNANDO: Muitos tinham, porque eram verdadeiros martírios.
BLOG: O Senhor conhece algum caso curioso sobre as torturas?
Sr. FERNANDO: Um outro caso também, prenderam um outro líder e através de um mecanismo faziam ele tomar água até não suportar.
BLOG: Senhor Fernando, você soube de alguém que sobreviveu a ditadura?
Sr. FERNANDO: Minha prima. Tomou um táxi para ir trabalhar, era professora e estava indo dar aula e ao entrar no táxi o motorista começou a criticar a ditadura, como ela também era contra começou a criticar e percebeu que ele estava mudando o itinerário e comentou que não era aquele o caminho e então o motorista se identificou como agente do DOPS e a prendeu. Ela passou por vários interrogatórios não tendo maiores consequências.
 Felipe Almeida, aluno de jornalismo da UNIARA – flpmaster93@yahoo.com.br